A Quinta
A Quinta
Vista da Quinta de Roriz

A Quinta de Roriz ocupa 200 hectares de terreno, criando um anfiteatro natural que se estende desde os cimos dos montes a 450 metros de altitude até à margem do Rio Douro. É uma das mais espectaculares Quintas do Douro.

No centro da Quinta existe um pequeno ‘plateau’ no qual se encontram os armazéns, a adega, a casa e a capela. A vinha ocupa 42 hectares e situa-se entre os 125 e 250 metros de altitude. O posicionamento da Quinta ao longo do rio bem como a sua altitude são considerados como ideais para a produção dos melhores vinhos do Douro. Esta propriedade é claramente um dos melhores exemplos das belas e típicas Quintas de rio.

As uvas são colhidas à mão e pisadas nos sete lagares de granito da Quinta. Os vinhos do Porto são envelhecidos em tonéis de carvalho da Quinta até à altura do seu engarrafamento. Os Vinhos de Mesa, que se começaram a produzir com grande êxito em 1996, são vinificados em cubas de fermentação de inox, com as mesmas castas usadas para o vinho do Porto.

O Solo Invulgar

Predomina o típico solo xistoso do Douro Superior, mas a sua estrutura e composição são específicas a esta propriedade. No solo da Quinta encontram-se igualmente estanho e vestígios de ouro. A indústria mineira em Roriz data dos tempos da Ordem Religiosa “Comenda das Tres Minas da Ordem de Christo”, que, durante o século XVII explorou os ricos depósitos minerais da propriedade. Foi a esta Ordem que Archibald adquiriu a propriedade. A exploração apenas foi interrompida após a Segunda Guerra Mundial.

A composição mineral característica deste solo origina a forte e definida personalidade dos vinhos de Roriz.

A Vinha

View of Quinta de Roriz

Roriz produz uma média anual de 214 pipas (aproximadamente o equivalente a 14,300 caixas de 12/75cl).

Parte das vinhas são seleccionadas para a produção de vinho do Porto e parte para vinho do Douro. Em ambos os casos, o objectivo é produzir o melhor que o Douro tem para oferecer.

Para manter o elevado nível de qualidade dos vinhos do Porto Quinta de Roriz, só o melhor dos melhores Vintages será comercializado. O mesmo critério qualitativo continuará a ser aplicado aos Vinhos de Mesa comercializados como Vinho de Quinta.

Castas

Tinta Roriz 13%
Touriga Nacional 23%
Tinta Barroca 12%
Touriga Francesa 10%
Tinta Francisca 6%
Tinta Cão 3%
Sousão 3%
Tinta Amarela 3%
Plantação Mista 9%
Vinhas Antigas 18%

Até hoje, mantiveram-se a Tinta Francisca (casta reconhecida pelo seu potencial para envelhecimento prolongado, trazida da Borgonha por Robert Archibald, no século XVIII — segundo Villa Mayor — e por Christiano van Zeller, no século XIX — segundo Cincinatto da Costa) e outras variedades menos conhecidas, tais como o Sousão (responsável pela cor e acidez excelentes) e a Tinta Amarela (que produz vinhos aromáticos e equilibrados).

Estas castas estão presentes em Roriz lado a lado com as cinco variedades classicamente associadas ao Douro. Entre essas, a Tinta Roriz viu o seu nome derivado da excelência das varas que a Quinta de Roriz conseguiu da casta original importada de Espanha (Tempranillo).

Esta composição de castas contribui, sem dúvida, para a grande complexidade, concentração e estrutura tânica dos vinhos de Roriz, constantes ao longo de sucessivos vinhos Vintage dos dois últimos séculos.

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Bernardino Camilo Cincinato da Costa
(1866-1930)

Um dos mais notáveis investigadores e cientistas portugueses, se não o maior, na área da ciência agrícola em geral, e da vitivinicultura em particular, Cincinato da Costa nasceu em Margão, Goa, em 1866, tendo-se licenciado em Agronomia e Veterinária em 1886, pelo Instituto de Agronomia e Veterinária de Lisboa. Através de concurso Público, foi pouco depois nomeado lente de Tecnologia Agrícola da sua Escola.

“Le Portugal Vinicole – O Portugal Vinícola”, edição bilingue francês-português foi originalmente publicada pela Imprensa Nacional em 1900 para a Exposição Universal de Paris, e encadernada em Lisboa pelas oficinas da Livraria Férin. Nela Cincinato da Costa apresentou uma obra única na história da vitivinicultura em Portugal, que constitui um estudo enológico de excepcional valor científico sobre as castas de uvas existentes no nosso país. Vinte e uma das castas estudadas por Cincinato da Costa nessa obra foram pintadas a aguarela por Alfredo Roque Gameiro (1864-1935). Todas as outras foram fotografadas. Esta obra monumental valeu a Cincinato da Costa o Grande Prémio da Exposição Universal de Paris de 1900, e a proclamação como Sócio Honorário da Sociedade de Viticultores de França.

O livro tem grandes dimensões. Existe um fac-simile de muita qualidade do “Le Portugal Vinicole – O Portugal Vinícola”, editado no ano 2000 por Chaves Ferreira. O original raramente aparece nos alfarrabistas. Em muitos anos, só encontrei um. As fotocópias hoje distribuídas explicam em detalhe seis das principais castas existentes na Quinta de Roriz (Tinta Roriz, Sousão, Tinta Amarela, Tinto Cão, Tinta Francisca, e Touriga). Foram obtidas do original do “Le Portugal Vinicole – O Portugal Vinícola” existente na biblioteca da Quinta.

Cincinato da Costa era irmão de Alfredo da Costa (fundador da Maternidade do mesmo nome), bisavô de Vera Nobre da Costa van Zeller, mulher de João van Zeller, da Quinta de Roriz.

João van Zeller
Quinta de Roriz
5130 S. João da Pesqueira
Portugal

Clique aqui para fazer o download das páginas de "Le Portugal Vinicole – O Portugal Vinícola" referentes às castas existentes na Quinta de Roriz (PDF 24.1MB)

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