História
História
1764
"A Quinta de Roriz já era um dos mais bellos florões da coroa enológica do Douro".
Visconde de Vila Maior
Portugal 1865

Nos primeiros anos do século XVIII, mais de 150 anos antes de as companhias de vinho do Porto começarem a adquirir vinhas no Alto Douro, um escocês chamado Robert Archibald viajou até ao Douro.

Comprou então uma propriedade bravia e isolada na margem esquerda do Rio Douro, entre o Pinhão e o Tua. Neste local, construiu um rudimentar abrigo de caça nas imediações da qual abatia javalis e perdizes. Pouco tempo depois, iniciou aí a plantação de uma vinha, tendo sido assim que a Quinta de Roriz começou a produzir vinho.

O filho de Robert Archibald, Diogo, acompanhou os inspectores do Marquês de Pombal, na altura primeiro-ministro do Rei D. José I, na famosa demarcação da região do Douro em 1757. De Diogo Archibald a Quinta passou para as mãos de Nicolau Kopke e deste para a esposa de seu filho, Leonor Caroline van Zeller. A Quinta está na posse da família van Zeller desde 1815.

Seria interessante citar alguns excertos da obra exaustiva do Visconde de Vila Maior, publicada em Portugal em 1865, na qual se pode ler: “este sítio parece que foi logo escolhido com muito discernimento pelo primeiro plantador, para n’elle se estabelecer um prédio vinícula da primeira ordem”.

Pedro van Zeller
Pedro van Zeller, associado à Quinta de Roriz, nomeado Consul Plenipotenciário da Rússia no Porto pela Czarina Catarina a 15 de Março de 1795. A corte dos Czares foi um mercado importante para o vinho do Porto de qualidade, e em particular para o Roriz.

Vila Maior recorda que Robert Archibald mandou importar vinhas de Borgonha, certamente a mesma Tinta Francisca que ainda hoje se encontra numa parte da Quinta. Disse ainda que o vinho da Quinta, “apresentou-se logo differente d’estes, com mais corpo e cor, o que era devido às castas adoptadas e à incontestavel influencia do solo, da exposição e das condições physicas particulares a estas partes superiores do Douro Superior”. Para terminar, Vila Maior afirma “Na demarcação desta área, a Quinta de Roriz, produzia já então os melhores vinhos do Douro e os mais estimados em Inglaterra”. 

A Christie’s de Londres reafirmou a notável qualidade dos vinhos de Roriz. Os seus arquivos registam uma venda de vinho do Porto Roriz a 10 de Julho 1828: “Trinta dúzias de Porto envelhecido de grande qualidade… incluindo Roriz” este último vendido a 21 xelins a dúzia. Em 1872, 15 caixas de Quinta de Roriz 1851 foram vendidas na Christie’s pelo exorbitante preço de 84 xelins por caixa.

 

Em 1907, foi pedido a vários importadores ingleses que registassem as suas opiniões sobre o Roriz. Isto é, novamente, uma prova da reputação única de que a Quinta desfruta:

Letter
A carta original de nomeação de Pedro van Zeller, escrita em cirílico e francês, assinada por Catarina da Rússia.

William Forrester, sócio na Offley Forrester desde 1868, declarou que tinha sido familiarizado com o vinho da Quinta de Roriz desde a sua tenra infância e que inclusivamente se lembrava da existência de algumas garrafas de vinho Quinta de Roriz na cave do seu pai, o illustre Barão. “A Quinta de Roriz era tão famosa que não passava despercebida a quem visitasse a região vinícola do Douro.”

Segundo William Masters, da W.H.Chaplin & Co., de Mark Lane, Londres: “O Quinta de Roriz é o Vintage com maior qualidade com que temos lidado desde 1854.”

Jorge Hardy Mason, sócio da Mason Cattley & Co. veio a Portugal em 1869 para comprar vinho: “era um facto que a Mason Cattley tinha pago mais 25% ou 30% pelo vinho comprado à Quinta de Roriz do que por qualquer outro vinho.” A sua circular de 1886 rezava: “Da famosa Quinta de Roriz, o Vintage de 1896 é um vinho verdadeiramente soberano e apropriado para ser guardado como uma recordação do ano da comemoração das Bodas de Diamante de Sua Majestade.”

Assim os registos evidenciam que os vinhos do Porto de Roriz foram, sem dúvida, os primeiros a serem colocados no mercado por uma Quinta, atingindo preços excepcionalmente altos devido à sua qualidade superior. Ao longo da maior parte do século XIX, o Roriz era o primeiro entre os vinhos do Porto e era grande a sua procura no mercado britânico.

Old bottle
“O Roriz fez a sua entrada no mercado inglês há pelo menos um século como vinho da quinta e, provavelmente, é aquele que tem a história (documentada) mais antiga neste campo.” Alex Liddle em “Quintas do Vinho do Porto” 1992

Ao longo do século XX os vinhos Roriz continuaram a ser comercializados, agora associados aos nomes de exportadores. Finalmente, no início do novo milénio, Roriz é re-estabelecido como produtor independente e reconquistará a reputação de ser uma das mais lendárias Quintas do Douro.

 

Hoje

Hoje em dia a Quinta de Roriz pertence a e é gerida por João van Zeller, a sexta geração da família van Zeller na posse da Quinta de Roriz, que está determinado em reafirmar a histórica posição de proeminência da Quinta.

 

 

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